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Crioterapia — entrevista para o Jornal Expresso

Excerto da entrevista publicada no Jornal Expresso de 04.04.2025. Autor: João Diogo Correia (Jornalista).

Os banhos gelados vieram do mundo do desporto. É comum que a seguir a provas de alta competição os atletas recorram ao frio para acelerar a recuperação dos músculos. Chama-se a isso “crioterapia”, técnica na qual Luís Lima, médico especialista em Medicina Física e de Reabilitação, tem larga experiência. “As técnicas mais conhecidas vão desde a simples aplicação de gelo local” que “ajuda também a diminuir a perceção de dor imediata, e particularmente a dor tardia”, “até aos banhos de imersão a temperaturas baixas”.

Especialista em Medicina Desportiva, Luís Lima conta que “a maioria dos estudos de crioterapia mede a imersão em água fria entre 7 e 15 graus, por períodos de 30 segundos até 2 horas, com água pelo menos até ao peito”, e confirma que “existe alguma evidência de benefício”, mesmo para quem não é atleta de alta competição. O médico enumera alguns, como “a redução de stresse”, “o potencial benefício da qualidade do sono (com menos despertares noturnos)” e a “redução do tempo de ausência do trabalho por doença”.

O reforço do sistema imunitário “é mais difícil de medir”, avisa o especialista, que confirma, no entanto, que “se reduzirmos o stresse, teremos potencial benefício imunitário”. Além disso, “a exposição regular ao frio diminui a ativação dos recetores cutâneos”, o que torna “o frio menos desagradável”.

Mais vantajoso do que água fria? O exercício

Luís Lima alerta para riscos como os provocados pelo choque térmico, as arritmias ou o risco de afogamento. Por isso, embora recomendando os banhos para recuperação muscular, o médico pede que sejam combinados com exercício físico. “Portugal é o campeão europeu da inatividade física, conforme mostra o último Eurobarómetro, portanto, seria muito mais benéfico substituir os 10-15 minutos de crioterapia pela prática de exercício nos indivíduos sedentários.”


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